Análise empírica do modelo teórico da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

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Análise empírica do modelo teórico da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)

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Title: Análise empírica do modelo teórico da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)
Author: Fabiana Caetano Martins Silva
Orientador: Rosana Ferreira Sampaio
Co-orientador: Marisa Cotta Mancini; Jorge Alexandre Barbosa Neves
Banca:
Presidente: Rosana Ferreira Sampaio
Membro: Renata Noce Kirkwood; Jorge Alexandre Barbosa Neves; Paula Lanna Pereira da Silva; Sheyla Rossana Cavalcanti Furtado; Selma Lancman
Subject: Saúde Teses.; Avaliação Teses.; Reabilitação Teses.; Participação social Teses.; Medicina de reabilitação Teses.; Classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde DeCS
Palavra-chave: Classifição Internacional de Funcionalidade; Incapacidade e Saúde.; Modelo biopsicossocial; Avaliação; Participação social; Fatores ambientais; Fatores pessoais; Modelagem de equação estrutural.
Date: 06-03-2012
Publisher: UFMG
Abstract: A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), apresenta um sistema de classifição e um modelo teórico baseados na junção dos modelos médiicos e social e usa uma perspectiva biopsicossocial para integrar as diversas dimensões da saúde. No modelo da CIF, o processo de funcionalidade e incapacidaderesulta da interação entre uma Condição de Saúde (CS) e Fatores Contextuais (FC) e representada por três componentes: Estrutura e Funo Corporal (EFC), Atividade (A) e Participação (P). O modelo da CIF e seu sistema de classificação têm sido empregados na análise do conteúdo de funcionalidade abordado por distintos instrumentos de avaliaçãoo; no desenvolvimento de agrupamentos elementares de códigos (core sets); para análise da evidência científica disponível sobre determinado tema; como modelo norteador do raciocínio clólico e da atuação dos profissionais; bem como para orientar o desenvolvimento de estruturas curriculares, de políicas na área de saúde e de diretrizes para os sistemas de seguridade e previdência social. Tendo em vista a amplitude e importância deste modelo, principalmente como orientação para a prática e pesquisa na áea da saúde, a mensuração e o teste empírico dos seus conceitos e relações são etapas que requerem atenção e devem ser desenvolvidas. Mais recentemente, as inter-relações entre os componentes deste modelo ter sido analisadas em sua perspectiva teica, sendo escassos os estudos que exploram empiricamente estas relaes. Assim, necessário discutir a aplicabilidade da CIF na prica profissional e considerar quais avaliações são adequadas e informam sobre os conceitos que sustentam o modelo. Em acrócimo, o debate acerca da influência dos fatores contextuais da CIF no processo de funcionalidade se mostra latente nas pesquisas que envolvem a análiise prática deste modelo. Neste sentido, os objetivos deste estudo foram selecionar instrumentos de avaliação para mensurar os diferentes componentes da CIF; analisar as relações entre os seus componentes; testar a validade empírica do modelo biopsicossocial da CIF; e analisar a influência dos fatores do contexto no componente participação. Foram avaliados 226 pacientes, entre 18 e 59 anos, com diferentes condições de saúde e que estavam em reabilitao. Para avaliar os componentes da CIF foram utilizados os seguintes instrumentos: WHODAS II, MIF, Escala de Participação, CHIEF, um protocolo com testes e medidas variadas para mensurar EFC e um questionário sóiodemográico, ocupacional e de háitos de vida para caracterizar FP. Para a análise dos instrumentos, medidas e teste de avaliação foi empregada a ténica de análise fatorial por componentes principais. A testagem empírica do modelo da CIF e das relalações entre seus componentes foi realizada por meio de modelagem de equações estruturais; enquanto que a análise de regressão com entrada hierarquizada foi aplicada para verificar a associação dos fatores contextuais e participação. Este estudo reduziu um grupo de informações sobre FP em quatro fatores independentes caracterizados por variáeis relacionadas a condições econômicas e de estudo; situações de trabalho, ter filhos e viver com companheiro; háitos de fumar e consumir bebida alcoólica; e sexo e propíca de atividade física. Estes quatro fatores apresentaram variância total de 59,1%. Quanto aos EFC, houve um agrupamento das informações em trrês fatores relacionados a força de membros superiores e intensidade da dor; força de membro inferior, flexibilidade de membro superior e massa corpórea; e flexibilidade de membro inferior e de esforço submáximo. A variância total explicadas para EFC foi 61,3%. As avaliações utilizadas para medir A, P e FA também apresentaram um padrão de agrupamento consistente com a literatura com variâcias explicadas que variaram de 60,5% a 68,0%. A testagem do modelo indicou bons ajustes (Qui-quadrado = 295,6; gl = 63; GFI = 0,854; AGFI = 0,775; RMSEA = 0,028 [IC90% = 0,014-0,043]) e apontou relação significativa entre EFC e A (coeficiente padronizado = 0,32; p < 0,0001); A e P (coeficiente padronizado = - 0,70; p < 0,0001); e FC e componentes de funcionalidade (coeficiente padronizado = 0,37 [p < 0,0001] e - 0,34 [p < 0,0001]). Os efeitos diretos entre EFC e P (coeficiente padronizado = - 0,10; p = 0,111) e CS e os componentes de funcionalidade (coeficiente padronizado = - 0,12; p = 0,128) não foram confirmados. Ainda em relação aos resultados, identificou-se que mais anos de escolaridade, estar inserido no mercado de trabalho e ingerir bebida alcoóica são condiçõees que aumentaram a participação social dos pacientes. Por outro lado, fatores como o ambiente natural, transporte, acesso aos serviços de saúde e capital social são percebidas como as barreiras mais importantes para a participação (R²aj = 0,42 e p < 0,0001). Esses achados permitem afirmar que os testes e instrumentos de avaliação selecionados só alternativas ancoradas no modelo da CIF e passíeis de serem empregados nos centros de reabilitação. Modificações no componente de EFC não apresentam efeito direto na Pe o efeito direto da CS nos componentes de funcionalidade também nã foi confirmado indicando que outros fatores, como os relacionados ao ambiente fíico e social e às caracteríticas pessoais se interagem na produção dos processos de incapacidade. Assim, este estudo aponta para um modelo de funcionalidade que abarca uma perspectiva contextualizada e deve incluir também variações e características individuais. Para além, estas informações podem contribuir para o planejamento e implementação de intervenções e políticas públicas em níeis individuais e contextuaisapropriadas para reduzir as barreiras e promover a funcionalidade de pessoas com deficiência.
Resumo em lingue estrangeira: The International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF) presents a classification system and a theoretical method based on the junction of medical and social models and uses a biopsychosocial perspective to integrate different health dimensions. In the ICF model, the functioning and disability processes result from the interaction between a Health Condition (HC) and Contextual Factors (CF) and is represented by three components: Body Function and Structure (BFS), Activity (A) andParticipation (P). The ICF model and its classification system have been used in the analysis of the functioning content approached by distinct assessment tools; in the development of elementary code groupings (core sets); in the analysis of the scientific evidence available on a certain theme; as a guiding model for clinical reasoning and professional performance; as well as to guide the development of curricular structures,health politics and guidelines for the health insurance and social welfare systems. Due to the extent and importance of this model, mainly as guidance for practice and research in rehabilitation, the measurement and analysis of its concepts and relations from empiric data are steps that require attention and should be developed. There are studiesavailable which have analyzed the inter-relations between the components of this model in a theoretical perspective, but few studies empirically explore this relation. Hence, its necessary to discuss the applicability of ICF in clinical practice and to consider which assessments are appropriate and inform about the concepts that support the model. Furthermore, the discussion about the influence of the contextual factors on the functioning process is latent in the researches that involve analysis of the model. Thus, the aims of this study were to: (1) select assessment tools to measure the different ICF components; (2) analyze the relations between its components; (3) test the empiricalvalidity of ICFs biopsychosocial model; and (4) analyze the influence of the contextual factors on the participation component. Two hundred and twenty six patients, with ages between 18 and 59 years, with different health conditions and who were in rehabilitation were assessed. In order to assess the ICF components, the following tools were used: WHODAS II, MIF, Participation Scale, CHIEF, a protocol with tests and various measures to measure BSF and a socio-demographic, occupational and life habit questionnaire, to characterize PF. For the analysis of the measures, tests and assessment tools, the factorial analysis by main components technique was used. The empirical testing of the ICF model and of the relations between its components was performed by structural equations modeling; while the regression analyses with hierarchical entry of data was applied to verify the association of the contextual and participation factors. This study reduced a group of information on PF to four independent factors, characterized by variables related to economic and study conditions; work situations, having children and living with a partner; smoking habits and alcohol intake; and sex and physical activity. These four factors showed a total explained variance of 59.1%. As for the BSF, there was a grouping of the information in three factors related to upper limb strength and pain intensity; lower limb strength; upper limb flexibility and body mass; and lower limb flexibility and sub-maximum effort. The total explained variance of the three factors of BSF was 61.3%. The assessments used to measure A, P and EF also presented a grouping pattern consistent with the literature, with explained variancesthat ranged from 60.5% to 68.0%. The model testing indicated good adjustments (Chisquare =295.6; gl = 63; GFI = 0.854; AGFI = 0.775; RMSEA = 0.028 [IC90% = 0.014- 0.043]) and showed a significant relation between BSF and A (standard coefficient = 0.32; p < 0.0001); A and P (standard coefficient = - 0.70; p < 0.0001); and CF and thefunctioning components (standard coefficient = 0.37 [p < 0.0001] and 0.34 [p = 0.00]). The direct effects between BSF and P (standard coefficient = - 0.10; p = 0.111) and SC and the functioning components (standard coefficient = - 0.12; p = 0.128) were not confirmed. Still in relation to the results, it was identified that more scholar years,having a job and drinking alcohol are conditions that increase the patients social participation. On the other hand, factors such as natural environment, transport, access to health services and social capital were perceived as the most important barriers to participation (Raj = 0.42 and p < 0.0001). These findings confirm the fact that the selected tests and assessment tools are alternatives anchored in the ICF model and couldbe used in rehabilitation centers. It can be inferred that changes that occur exclusively in BSF dont have a direct effect on P and the direct effect of SC on the functioning components was also not confirmed, which indicates that the other factors, such as those related to the physical and social environment and to the personal characteristics interactfor the production of the disability processes. Thus, this study points to a functioning model that comprehends a contextualized perspective and must also include variations and personal characteristics. Furthermore, this information may contribute to the planning and implementation of interventions and public politics at individual and contextual levels, appropriate to reduce barriers and promote functioning of individualswith disabilities.
URI: http://hdl.handle.net/1843/BUOS-92VLHY

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