Transtornos mentais e qualidade de vida em crianças e adolescentes com distúrbios funcionais do trato urinário inferior: a avaliação dos pacientes e de seus cuidadores

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Transtornos mentais e qualidade de vida em crianças e adolescentes com distúrbios funcionais do trato urinário inferior: a avaliação dos pacientes e de seus cuidadores

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Title: Transtornos mentais e qualidade de vida em crianças e adolescentes com distúrbios funcionais do trato urinário inferior: a avaliação dos pacientes e de seus cuidadores
Author: Renata Cristiane Marciano
Orientador: Eleonora Moreira Lima
Co-orientador: Eduardo Araujo de Oliveira
Banca:
Presidente: Eleonora Moreira Lima
Membro: Marcia Gomes Penido Machado; Monica Maria de Almeida Vasconcelos; Jussara Mendonça Alvarenga; Jonas Jardim de Paula
Subject: Pediatria Teses.; Falência renal crônica DeCS; Transtornos mentais DeCS; Qualidade de vida DeCS; Cuidadores DeCS; Estudos transversais DeCS; Criança DeCS; Adolescente DeCS; Humanização da assistência DeCS; Pediatria DeCS; Dissertações acadêmicas DeCS; Incontinência urinária DeCS; Sistema urinário DeCS; Tese da Faculdade de Medicina da UFMG.
Palavra-chave: Disfunção do Trato Urinário Inferior; Transtornos mentais; Criança; Adolescente; Impacto; Qualidade de vida; Cuidadores
Date: 01-09-2016
Publisher: UFMG
Abstract: A Disfunção do Trato Urinário Inferior (DTUI) é uma condição que afeta cerca de 2 a 25% da população pediátrica e encontra-se associada à presença de transtornos emocionais e de comportamento. A prevalência destes transtornos encontra-se elevada nesta população, estimada em cerca de 20 a 40%. Trata-se de um estudo transversal, do qual participaram 88 pacientes pediátricos com DTUI acompanhados no Hospital das Clínicas da UFMG e seus respectivos cuidadores. Para estimar a prevalência de transtornos mentais das crianças e adolescentes foi aplicado o Inventário de Comportamentos da Infância e Adolescência, Child Behavior Check List (CBCL). Para mensurar sintomas de depressão e ansiedade nos pais, foram utilizadas as escalas de depressão e ansiedade de Beck. Para avaliação da qualidade de vida da amostra, foi aplicado o Inventário Pediátrico de Qualidade de Vida (PedsQL) nos pacientes, e o instrumento da Organização Mundial de Saúde em sua versão abreviada, o WHOQOL-Bref, nos cuidadores. Dentre os pacientes, 71,1% eram do sexo feminino. Em relação ao tipo de DTUI, 52,2% das crianças apresentaram diagnóstico de Bexiga hiperativa/urge incontinência; 16,7% de Micção disfuncional, 31,1% de Adiamento da micção. Os cuidadores foram quase sempre mães - 93%, dos quais 38% não concluíram o ensino fundamental e 63% foram classificados como pertencentes às classes socioeconômicas C ou D. De acordo com os escores clínicos do CBCL, 56% da amostra apresentou problemas comportamentais, sendo internalizantes - 55%; externalizantes 38%. Ao se comparar os tipos de DTUI e os escores do CBCL, os pacientes com Adiamento da micção apresentaram os menores índices no total de problemas (p=0.036). As crianças e adolescentes com DTUI associada a enurese apresentaram maior frequência de problemas externalizantes (p= 0.001), em especial comportamento agressivo (p=0.013). O grupo de DTUI, ao ser comparado a controles aparentemente saudáveis, obteve escores significativamente inferiores em todos os domínios da QV, tanto no relato dos pais quanto das crianças. A presença de problemas comportamentais nos pacientes foi associada à pior qualidade de vida dos mesmos em todos os aspectos avaliados sendo que os problemas de competência escolar foram os que mais influenciaram a qualidade de vida total das crianças. Em relação aos cuidadores, 44% da amostra apresentou escore clínico para sintomas depressivos e 43% para sintomas ansiosos. A qualidade de vida dos pais mostrou-se bastante comprometida, sendo que os únicos preditores de pior QV foram a maior idade do paciente e a presença de depressão e ansiedade nos cuidadores. Os sintomas depressivos e ansiosos e a pior QV dos pais estiveram associados à maior frequência de problemas comportamentais nas crianças. Os elevados índices de transtornos emocionais e o comprometimento da qualidade de vida dos pacientes e cuidadores estudados evidenciam um possível impacto emocional dos distúrbios miccionais nos pacientes e em suas famílias. Nossos achados reforçam a necessidade de se investigar a presença de alterações emocionais e comportamentais em todos os pacientes com DTUI. Além disso, este trabalho sugere que a abordagem familiar no tratamento de pacientes com distúrbios miccionais pode ser um importante recurso terapêutico para o controle clínico satisfatório das crianças e adolescentes com DTUI, de forma a minimizar o sofrimento dessa condição clínica e melhorar a qualidade de vida dessa população.
Resumo em lingue estrangeira: The Lower Urinary Tract Dysfunction (LUTD) is a condition that affects 2-25% of the pediatric population and is associated with emotional and behavioral disorders. The prevalence of these disorders is estimated between 20 to 40% - with variation according to LUTD symptoms and comorbidities. In this cross-sectional study, 88 pediatric patients with LUTD and their caregivers were regularly evaluated in the Pediatric Nephrology Unit of the Hospital das Clinicas, Universidade Federal de Minas Gerais. The questionnaire Child Behavior Check List (CBCL) was applied to estimate the prevalence of mental disorders of children and adolescents. To measure symptoms of depression and anxiety in parents, the scales of Beck depression and anxiety were used. To evaluate the quality of life, we applied the Inventory of Pediatric Quality of Life (PedsQL) in patients, and the World Health Organization instrument in its shortened version, the WHOQOL brief in caregivers. Among the patients, 71.1% were female. Regarding the type of LUTD, 52.2% of children were diagnosed with overactive bladder / urge incontinence; 16.7% of dysfunctional voiding and 31.1% of voiding postponement. Caregivers were mostly mothers - 93% of which 38% have not completed elementary school and 63% belonged to C or D socioeconomic classes. According to the scores of CBCL, 56% of the samples presented behavioral problems, and the most common were internalizing - 55%; externalizing 38%. Comparing the types of LUTD and CBCL scores, patients with voiding postponement had the lowest rates in total problems (p = 0.036). Among the children and adolescents with enuresis associated LUTD, the externalizing problems (p = 0.001) had a higher frequency, especially aggressive behavior (p = 0.013) and the presence of behavioral problems in patients was associated with worse quality of life in all evaluated aspects of the children, in their view and parents. A total of 44% of caregivers obtained clinical levels of depressive symptoms and 43% for symptoms of anxiety. The high levels of emotional disorders and compromised quality of life of the patients and caregivers show a possible emotional impact of micturition disorders in patients and their families. Our findings reinforce the need to investigate the presence of emotional and behavioral problems in all patients with LUTD. Furthermore, this work suggests that a family approach in the treatment of patients with urinary disorders can be an important therapeutic tool for satisfactory clinical management of children and adolescents with LUTD in order to minimize suffering this clinical situation and improve the quality of life this population.
URI: http://hdl.handle.net/1843/BUOS-AJKPPY

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