Sertões do mundo, uma epistemologia

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Sertões do mundo, uma epistemologia

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Title: Sertões do mundo, uma epistemologia
Author: Adriana Ferreira de Melo
Orientador: Cassio Eduardo Viana Hissa
Banca:
Presidente: Cassio Eduardo Viana Hissa
Membro: Heloisa Soares de Moura Costa; Sonia Maria de Melo Queiroz; Jose Geraldo Pedrosa; Maria Teresa Franco Ribeiro
Subject: Geografia humana - Teses.; Epistemologia - Teses.; Comportamento espacial - Teses.
Palavra-chave: sertão; lugar; território; sertões contemporâneos; epistemologias; ciências; artes
Date: 26-08-2011
Publisher: UFMG
Abstract: A ideia de sertão é bastante difundida nas imagens do senso comum, dos saberes populares, das ciências, das artes verbais, da literatura, do cinema, das partes plásticas, da música, dentre muitos outros saberes., O conceito de sertão, entretanto, salvo do ponto de vista físico, é pouco estudado. As imagns do sertão, dispersas nos mais diversos saberes, nos convidam a observar a multiplicidade de significaçóes que compõem o conceito Essa multiplicidade nos estimula a ampliar o conceito de sertão e a ler e compreender os contemporâneos movimentos do espaço a partir das imagens desse conceito. Para além das significaçóes construídas nos mais de quinhentos anos de história do Brasil, o velho sertão não apenas permanece, como também se inscreve no mundo contemporâneo em múltiplos espaços, surgindo em novas configurações. O espaço é complexo: múltiplo, heterogêneo, esgarçado, indivisível: rugoso. O sertão se prolifera nos mais diversos lugares, experimentando e condensando também todas essas características do espaço em sua totalidade, ao qual chamamos mundo. Como traduziu Guimarães Rosa, o sertão está em toda parte. Coexiste nos luares que permanecem intocados pelos processos de modernização e nos espaços hipermodernizados. Resiste no nome do sertão bravo e surge em lugares nunca antes denominados sertões. Se na sua origem a palavra sertão foi preenchida por significações do tipo lugar longínquo, desconhecido, desabitado, isolado, selvagem, bárbaro, incivilizado, a maioria dessas significações continuam sendo inscritas, na contemporaneidade, não apenas nos diversos lugares do mundo em que os processos de modernização não chegaram, mas também nos interiores dos lugares hipermodernizados, como, por exemplo, as favelas das metrópoles e das megalópoles. Para quem o sertão é o longínquo, o bárbaro, o selvagem, o incivilizado? Do sertão de que tempo-espaço se fala? Como foi e é construída a ideia de sertão? Quais significações constituem as múltiplas faces dos espaços que podem ser denominados sertão ou lugares-sertão? A partir do que se denomina uma cosmologia do sertão, exercício de reflexão teórica sobre o conceito, que se faz no contato com as imagens de sertão dispersas nos saberes literários, não-literários, nas artes verbais, elabora-se um exercício teórico, epistemológico, de reflexão. sobre alternativas de abordagem das questões socioespaciais Essas alternativas consistem em estudar o sertão no âmbito da ciência, neste caso a geografia, no contato, com as representações e,todos esses saberes. Investe-se em outro tipo de ciência, diferente da moderna. Uma ciência que se reinventa e se fortalece a partir da prática de uma ecologia de saberes, do diálogo que se pode se construir nos diversos espaços de fronteiras entre saberes: científicos, artísticos, populares, do senso comum, etc. Abordam-se, também, os conceitos de lugar e território, essenciais à argumentação da tese, uma vez que ela se fundamenta na compreensão do sertão como um lugar-cosmo que, ao emergir em diversas partes, nos permite refletir sobre territórios de sertões do mundo. Esses territórios, sertões do mundo, são ainda apresentados como uma alternativa epistemológica para a reflexão dos diversos mundos do chamado Sul Sociológico, que emergem nas mais diversas escalas, em toda parte.
URI: http://hdl.handle.net/1843/MPBB-8PJKS3

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